"Bem vindo meu novo ser, cercado de proteção, de tanto amor, tanta paz, dentro do meu coração. É como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar, é como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar..."

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Tuesday, October 31, 2006

Querida mamãe
 
Querida mamãe,


Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei
que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no
trombone e você apareceu.

Ainda bem. Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono
antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar
no berço, chorei de novo. Mas não tente negar, você estava com pressa para
ir dormir outra vez.

Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu
trocar a minha fralda. Estava tudo calmo, um silêncio, nós dois juntinhos,
tão legal que eu perdi o sono.

Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar um pouco e resolveu me
fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais dez minutos
ou meia hora, mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem
nervosa e até chamou o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final
das contas, acordei a casa inteira cinco vezes. Pela manhã, nossa família
estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina,
você chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não!
Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer
mais ficar comigo.

Os adultos têm hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas coisas
de relógio e tarefas estafantes que vocês precisam fazer. Quando meu corpo
está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto
dos meus três meses, ainda não descobri direito que você é uma pessoa e que
eu sou outra. Um dia eu vou sair por aí, vou telefonar e posso deixá-la
doida para saber o que ando fazendo e, então, você vai entender como me
sinto agora. Mas não precisamos dessa guerra, mamãe. Até lá já podemos nos
entender, inclusive pelas palavras.

Sinto a angústia da separação, pois acabei de passar por essa experiência.
Você também, mas vive tudo isso como uma adulta consciente. Eu ainda estou
vivendo no inconsciente. Eu não sei nada, tudo é tão novo para mim aqui
fora. Mas eu tenho absoluta certeza de que eu vou aprender tudinho o que
você me ensinar por seus sentimentos em relação a mim.

Mamãe, você quer um conselho de bebê? Quando eu chorar à noite, não salta
logo para o meu quarto desesperada como se o mundo fosse acabar. Espere um
pouco, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu
coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace
devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu
mamar. Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência pois, nós bebês,
somos sensíveis aos sentimentos dos adultos. Se eu sentir que você está com
pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar o meu
segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e
pernas ficarem bem molenguinhas, aí sim, pode me colocar de volta no berço
que eu não acordo antes de sentir fome outra vez.

À medida que você desenvolver sua paciência, mamãe, eu estarei desenvolvendo
a minha tranqüilidade e nós não teremos mais noites infernais. Apenas noites
de mamãe e bebê, que um dia passam, como tudo na vida.

*Claudia Rodrigues. Jornalista e Terapeuta Somática.


(recebi esse texto lindo por e-mail e resolvi postar aqui. Logo mais eu escrevo minha experiência sobre noites mal dormidas (ou bem dormidas) e bebês!)

1 Comments:

  • At 6:29 PM, Blogger fafi prado said…

    E é EXATAMENTE isso. Lindo! Temos que
    (re)aprender muito como adultos. bjs.

     

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